Entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, fiz o bootcamp de UX Design da Tera.
Durante o curso, desenvolvi um projeto com a Carollina Cândido e o Vinícius Mano para responder ao seguinte desafio:
“Como conectar o estudante à primeira oportunidade de emprego?”

Foto: Mike San/Unsplash

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Nosso primeiro passo foi pensar que estudante é esse, e de que tipo de primeiro emprego estamos falando.
Partimos da suposição de que para mulheres a busca de emprego é ainda mais trabalhosa, o que se confirmou em nossas pesquisas.
“Pesquisa do IBGE mostra que mulher ganha menos em todas as ocupações”
“Dupla jornada faz mulheres trabalharem 3,1 horas a mais que homens”
“Novo relatório da OIT diz que jovens enfrentam futuro incerto no mercado de trabalho; chance de mulheres jovens estarem nessa situação é duas vezes maior do que a dos homens”
Onu News, 2020
Um ponto decisivo para direcionarmos nossa solução para mulheres foi a carga de trabalho doméstico a mais que ocupa seu tempo além da busca por trabalho.
Decidimos então segmentar nosso público para jovens mulheres de baixa renda que acabaram de concluir o ensino médio. Com este perfil delimitado, disparamos uma pesquisa quantitativa para esclarecer algumas dúvidas e procuramos meninas que topassem conversar com a gente. Entramos em diversos grupos de Facebook para fazer essa seleção, como grupos de vagas de Jovem Aprendiz e grupos de estudantes prestando Enem.
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Entrevistas
Em nossas entrevistas de profundidade, dois pontos foram frequentes: a ansiedade durante a busca por emprego e o fato dessas jovens raramente chegarem na fase de entrevistas. Nossas entrevistadas mandam currículo aos montes, não recebem retorno e, quando chegam a conversar com um recrutador, são recusadas sem saber o motivo.
Para entender melhor o que acontece nesse processo, pesquisamos o lado do RH e conversamos com uma recrutadora. Ela nos contou da dificuldade das candidatas de vender o próprio peixe.
“O problema normalmente não é que a pessoa não trabalhou antes e sim a falta de conteúdo para a entrevista.”
Recrutadora entrevistada
As empresas contratando jovens iniciantes já sabem da falta de experiência, mas quando fazem perguntas sobre objetivos de vida, por exemplo, as candidatas não sabem como responder.
“O mais difícil das entrevistas é que você ainda não sabe o que quer fazer e onde trabalhar, porque está procurando o primeiro emprego.”
Candidata entrevistada
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Persona
Com as entrevistas, definimos uma persona para guiar nosso processo dali para frente.

Foto: Suad Kamardeen/Unsplash

Ana Ansiosa
18 anos
Acabou de completar o ensino médio na rede municipal
Mora com a mãe, a avó e o irmão no Jardim Ângela, em SP
Todo dia estuda pro vestibular e cuida da casa
Quer o primeiro emprego para ajudar a mãe e ter seu dinheiro
A Ana já se candidatou a muitas vagas. Da última vez, até conseguiu uma entrevista, mas depois nunca teve resposta da empresa. Ela pode pensar:
“Como vou saber onde errei se não recebi nenhum feedback?”
Enquanto isso, o RH está sobrecarregado com a demanda:
“O excesso de trabalho do lado de recrutadores e ansiedade em alta de profissionais tornam o tão esperado quanto raro feedback o ponto mais crítico da relação candidato-recrutador”
Mas essa visão não chega para a Ana, que continua pensando:
“O que eu fiz de errado?”
“Como vou saber onde errei se não recebi nenhum feedback?”
“Como eu posso mandar bem da próxima vez?”
Esse exercício de elaborar o que a nossa persona pensa, a partir do que coletamos nas entrevistas, nos levou para a pergunta chave: e se a Ana pudesse praticar como mandar bem em uma entrevista, com feedbacks para saber como melhorar?
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A jornada de quem está procurando emprego é enorme: tem a etapa de montar um cv, distribuir pessoalmente e/ou online, esperar resposta, se frustrar, avançar para outras etapas do processo. Durante este projeto, caímos mais de uma vez na tentação de resolver um problema maior do que conseguimos. Em dado momento, percebemos que o projeto ficaria mais sólido se nos focássemos em apenas um momento dessa jornada, a entrevista. Não passar nem da fase de mandar currículo é uma questão gigante, mas chegar até a entrevista e morrer na praia sem saber o motivo é um problema que nos chamou muito a atenção e parecia um pouco mais possível de atacar.
Nossa proposta é um simulador de entrevistas que conecte jovens como a Ana a recrutadores reais de empresas. As candidatas e recrutadores têm conversas como se fossem entrevistas, e no final é dado um feedback para as candidatas se desenvolverem.
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Protótipo: visão da candidata
Nesta primeira versão do produto, a Ana escolhe até 3 horários para conversar com recrutadores. Na hora da conversa, ela é direcionada para um link do Google Meets.

Foto da home: Jeffery Erhunse/Unsplash

No final do papo, a pessoa de RH conta para a Ana no que ela mandou bem e quais pontos pode melhorar. Como é uma conversa rápida, de até 30 minutos, queremos que a Ana se concentre ao máximo no que a recrutadora disser sem se preocupar em anotar. E ela pode ter essa tranquilidade, porque um pouco depois da conversa os pontos que a recrutadora frisou estarão disponíveis para consulta no aplicativo, para que a Ana consiga se aprofundar e aprender mais. A seguir vou explicar melhor como isso acontece.
Visão do RH
Depois de conversar com a candidata, a recrutadora volta para o aplicativo e registra o feedback que acabou de contar para a candidata. Neste produto, contaríamos com uma base de dados com os problemas mais comuns que recrutadores encontram em candidatos iniciantes. Queremos que o processo seja o mais rápido possível para a recrutadora, para aliviar a carga de trabalho do RH.
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Modelo de negócio
Cada edição contaria com o patrocínio de empresas que apoiam iniciativas de equidade de gênero e inclusão, pois entendemos que também é interessante para empresas contratar pessoas com o perfil que traçamos – empresas como Natura, Magazine Luiza e Lojas Renner, por exemplo.
As empresas parceiras disponibilizariam recrutadores que abririam alguns horários nas suas agendas para conversar com as candidatas.
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Ana Confiante
Durante o projeto, olhamos para uma parte muito pequena da jornada da Ana, mas vimos como a entrevista é um momento chave no processo seletivo. Esperamos que soluções como esta possam preparar um dos perfis que mais precisa entrar no mercado de trabalho.

Foto: Suad Kamardeen/Unsplash

Agradecimentos especiais à Tera, Mariah, Lucas, nossa turma, experts, mentores Guilherme e Lucas e nosso mentor Leandro Cassa.
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